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18/10/2015

Fr. Garrigou-Lagrance - Immensity of the Soul

http://www.gloria.tv/?media=51563

Fr. Reginald Marie Garrigou-Lagrange, O.P. (1877-1964) is considered the greatest Catholic theologian of the 20th century. Fr. Garrigou-Lagrange came to the attention of Catholic scholars early in the last century, when he wrote against Modernism. Knowing that Modernism---which denied the objective truth of Divine revelation and taught an heretical conception of the evolution of dogma---attacked the very heart of the Catholic faith, Fr. Garrigou-Lagrange authored what are now classic works on apologetics, in defense of the Catholic Faith by way of both philosophy and theology. He taught at the Angelicum in Rome from 1909 to 1960, and served as a consultor to the Holy Office and other Roman Congregations for several years. He is most famous, however, for his works, an astonishing 500 books and articles. In these he has demonstrated that he is a true son of St. Thomas Aquinas [full-color picture above] in the classic Dominican tradition. The sepia image of Fr. Lagrange is one of the few of the theologian in later life that does not feature the glasses he often wore.

Fr. Garrigou-Lagrange was best known for his spiritual theology, especially for insisting "that all are called to holiness and for zealously propounding the thesis that infused contemplation and the resulting mystical life are in the normal way of holiness or Christian perfection. His classic work in this field---and his overall masterpiece---is The Three Ages of the Interior Life, in which the Catholic Faith stands out in all its splendor as a Divine work of incomparable integrity, structure and beauty, ordered to raise man to the Divine life of grace and bring to flower in him the "supernatural organism" of Sanctifying Grace and the Seven Gifts of the Holy Ghost---the wellsprings of all true mysticism. Among his other famous theological works are The Three Ways of the Spiritual Life, Christian Perfection and Contemplation (a forerunner of The Three Ages of the Interior Life), The Love of God and the Cross of Jesus, The Mother of the Saviour and our Interior Life, and Christ the Saviour."

03/02/2010

O que é a eternidade?




Há uma concepção parcialmente errônea da atual divina eternidade entre aqueles que se contentam em definí-la como uma duração sem começo e sem fim, pensando vagamente a respeito como tempo sem limite, tanto no passado quanto no futuro.

Tal noção de eternidade é inadequada: porque o tempo que não tem começo, -não tem primeiro dia-, sempre será, entretanto, uma sucessão de dias, anos, séculos; uma sucessão abraçando um passado, um presente e um futuro. Isso de forma alguma é eternidade. Nós podemos voltar ao passado e enumerar os séculos sem jamais chegarmos no fim, assim como podemos pensar num tempo vindouro aonde nós imaginamos atos futuros das almas imortais como uma série sem fim. Mesmo se o tempo não tivesse começo, ainda assim nós teríamos tido uma sucessão de momentos variados.

O instante presente, que constitui a realidade do tempo, é um transitório instante entre o passado e o futuro ("nunc fluens", diz-nos São Tomás), um transitório instante como as águas de um rio, ou um aparente movimento do sol, do qual contamos os dias e as horas. O que, então, é o tempo? Como diz-nos Aristóteles, é a medida do movimento, mais especialmente da moção do sol ou da terra em torno do mesmo, a rotação da terra em seu eixo constituindo um dia e, um ano, ao redor do sol. Se a terra e o sol foram criados por Deus desde toda eternidade e o movimento regular da terra ao redor do sol não teve começo, nós não teríamos o primeiro dia ou o primeiro ano, mas teríamos sempre tido uma sucessão de anos e séculos. Tal sucessão teria tido, então, uma duração infinitamente inferior á eternidade; pois teríamos sempre tido a distinção entre passado, presente e futuro. Em outras palavras, multiplique os séculos por milhões e milhões e ainda teremos tempo, sempre; não importa a soma do resultado alcançado, pois ele nunca será eternidade.

Se definirmos, então, a divina eternidade como uma duração sem começo ou fim é inadequado, como definí-la? A resposta da Teologia é de que seja uma duração sem começo ou fim, mas com essa característica muito distinta, que nela não há sucessão de passado e futuro, e sim um eterno presente. Não é um rápido instante como o passar do tempo, mas um instante imóvel que nunca passa, um instante inalterável. É o "agora que fica, não o que flui e desaparece", nos diz Santo Tomás (Ia, q. 10, a. 2, obj. ia), como a manhã perpétua que não possui madrugada e não conhecerá anoitecer. Como devemos compreender esse único instante de uma eternidade imutável? Aonde tempo, essa sucessão de dias e anos, é a medida de um aparente movimento do sol ou a real moção da terra, eternidade é a medida ou duração do ser, do pensamento e do amor de Deus. Esses sim são absolutamentes imutáveis, sem mudanças, variações ou vicissitudes. Como Deus é, por necessidade, a infinita plenitude do ser, não existe nada para Ele ganhar ou perder. Deus nunca pode aumentar ou diminuir em perfeição; Ele é a própria imutável perfeição.

Essa fixação absoluta do ser divino extende necessariamente para Sua sabedoria e arbítrio; qualquer mudança ou progresso na sabedoria ou amor divino acarretaria imperfeição.

A imutabilidade, no entanto, não é uma imutabilidade de inércia ou morte; e sim da vida suprema, possuindo uma vez por todas tudo o que é possível e correto, não tendo assim que adquirí-la ou correr o risco em perdê-la.


(Continuação num vindouro post)
Excerto de Providência, Fr. Garrigou-Lagrange, O.P.

20/10/2009

O que é eternidade?




Há uma concepção parcialmente errônea da atual divina eternidade entre aqueles que se contentam em definí-la como uma duração sem começo e sem fim, pensando vagamente a respeito como tempo sem limite, tanto no passado quanto no futuro.

Tal noção de eternidade é inadequada: porque o tempo que não tem começo, -não tem primeiro dia-, sempre será, entretanto, uma sucessão de dias, anos, séculos; uma sucessão abraçando um passado, um presente e um futuro. Isso de forma alguma é eternidade. Nós podemos voltar ao passado e enumerar os séculos sem jamais chegarmos no fim, assim como podemos pensar num tempo vindouro aonde nós imaginamos atos futuros das almas imortais como uma série sem fim. Mesmo se o tempo não tivesse começo, ainda assim nós teríamos tido uma sucessão de momentos variados.

O instante presente, que constitui a realidade do tempo, é um transitório instante entre o passado e o futuro ("nunc fluens", diz-nos São Tomás), um transitório instante como as águas de um rio, ou um aparente movimento do sol, do qual contamos os dias e as horas. O que, então, é o tempo? Como diz-nos Aristóteles, é a medida do movimento, mais especialmente da moção do sol ou da terra em torno do mesmo, a rotação da terra em seu eixo constituindo um dia e, um ano, ao redor do sol. Se a terra e o sol foram criados por Deus desde toda eternidade e o movimento regular da terra ao redor do sol não teve começo, nós não teríamos o primeiro dia ou o primeiro ano, mas teríamos sempre tido uma sucessão de anos e séculos. Tal sucessão teria tido, então, uma duração infinitamente inferior á eternidade; pois teríamos sempre tido a distinção entre passado, presente e futuro. Em outras palavras, multiplique os séculos por milhões e milhões e ainda teremos tempo, sempre; não importa a soma do resultado alcançado, pois ele nunca será eternidade.

Se definirmos, então, a divina eternidade como uma duração sem começo ou fim é inadequado, como definí-la? A resposta da Teologia é de que seja uma duração sem começo ou fim, mas com essa característica muito distinta, que nela não há sucessão de passado e futuro, e sim um eterno presente. Não é um rápido instante como o passar do tempo, mas um instante imóvel que nunca passa, um instante inalterável. É o "agora que fica, não o que flui e desaparece", nos diz Santo Tomás (Ia, q. 10, a. 2, obj. ia), como a manhã perpétua que não possui madrugada e não conhecerá anoitecer. Como devemos compreender esse único instante de uma eternidade imutável? Aonde tempo, essa sucessão de dias e anos, é a medida de um aparente movimento do sol ou a real moção da terra, eternidade é a medida ou duração do ser, do pensamento e do amor de Deus. Esses sim são absolutamentes imutáveis, sem mudanças, variações ou vicissitudes. Como Deus é, por necessidade, a infinita plenitude do ser, não existe nada para Ele ganhar ou perder. Deus nunca pode aumentar ou diminuir em perfeição; Ele é a própria imutável perfeição.

Essa fixação absoluta do ser divino extende necessariamente para Sua sabedoria e arbítrio; qualquer mudança ou progresso na sabedoria ou amor divino acarretaria imperfeição.

A imutabilidade, no entanto, não é uma imutabilidade de inércia ou morte; e sim da vida suprema, possuindo uma vez por todas tudo o que é possível e correto, não tendo assim que adquirí-la ou correr o risco em perdê-la.


(Continuação num vindouro post)
Excerto de Providência, Fr. Garrigou-Lagrange, O.P.