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26/07/2010

Devemos recitar os mistérios luminosos do Rosário?



Foi em sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 16 de Outubro de 2002, que o Papa João Paulo II tentou modificar o Rosário; dentre essas mudanças, o mesmo adicionou 5 novos mistérios chamados mistérios luminosos (ou da luz), distinguindo-se dos Gozosos, Dolorosos e Gloriosos.


Essa carta que, infelizmente, tenta promover o Rosário, é completamente contaminada pelo Naturalismo, e considera o Rosário como uma experiência psicológica similar as orações e meditações das religiões não-católicas. Por isso a importância da "implicação antropológica do Rosário" (25) , fazendo compreensível o mistério do homem. Dentre as "melhorias" implementadas no Rosário proposto, os 5 novos mistérios da luz são o 'carro-chefe' de tal proposição, eles foram especialmente escolhidos de forma a não ofender os protestantes, aonde todos os mistérios são descritos no Evangelho, mas nenhum mencionando explicitamente a Virgem Maria. Isso se alinha com a intenção do Papa em tornar o Rosário mais "cristocêntrico", o que significa, na prática, torná-lo menos Mariano.

Os 5 "significantes" e "luminosos" momentos que ele escolhe são:

.O Batismo no Rio Jordão

.Sua Manifestação em Caná

.A Proclamação de Seu Reinado e o chamado a conversão

.Sua Tranfiguração

.Instituição da Eucaristia

Todos esses são belos eventos retirados do Evengelho e apreciados como manifestações da bondade de Jesus, na qual Ele se mostra presente em Seu Reinado com Seu poder e misericórdia. Mas é interessante notar que, nenhum deles possui ligação direta com o Mistério da Redenção, somente a instituição da Eucaristia apresenta uma ligação indireta com tal plano no sentido dela ser a fundação da renovação incruenta. A introdução desses mistérios são, então, um esforço para ofuscar/apagar o foco tradicional nos essenciais mistérios da Redenção, contidos nos Gozosos, Dolorosos e Gloriosos mistérios.

Não é por nenhum acidente que os tradicionais mistérios do Rosário sejam focados, inteiramente, no mistério da Redenção; preparados nos mistérios Gozosos, cumpridos nos mistérios Dolorosos e aplicados nos mistérios Gloriosos. Se a tradição nos concedeu-os dessa forma, é porque esses são os mistérios que nossas almas precisam meditar para (alcançar) a salvação eterna. Em uma das suas Encíclicas anuais sobre o Rosário, o Papa Leão XIII explica que:

5. Além do valor que o Rosário tira da própria natureza da oração, ele contém uma maneira fácil para fazer penetrar e inculcar nas almas(...) ordenadamente repetida, ele nos leva à recordação e à contemplação dos principais mistérios da nossa religião: em primeiro lugar, daqueles pelos quais "o Verbo se fez carne" e Maria, Virgem intacta e Mãe, lhe prestou com santa alegria os seus maternais ofícios. Vêm depois as amarguras, os tormentos, a morte de Cristo, preço da salvação do gênero humano.

Finalmente, são os mistérios gloriosos(...) (Magnae Dei Matris, 8 de Set., 1892)



A razão para essa mudança de orientação é, para pouco a pouco, mover nossa atenção para longe do mistério da Redenção (entendida como a compra das almas dos pecadores), comprando-nos de volta de nossos pecados através da satisfação de nossas ofenças cometidas contra Deus. A teologia moderna do Mistério Pascoal pensa que isso já não se faz mais necessário, que Deus não é tão infantil para requerer pagamento pelos pecados e que, consequentemente, tudo o que precisamos é refletir nas manifestações de amor, gentileza, e glória de Deus, pois "Cada um destes mistérios é revelação do Reino divino já personificado no mesmo Jesus". (Rosarium Virginis Mariae, 21)

O resultado da recitação desses luminosos mistérios será a dessacralização do Rosário, a perda do específico foco Mariano, mudando assim nossa atenção para longe da união com o ato de Cristo em Sua Redenção, pela qual unicamente podemos ser salvos de nossos pecados. Pouco a pouco se tornará vazio, estéril, e não será mais rezado. Consequentemente, temos que recusar essa "melhoria" opcional e, ao contrário, nos ater a velha e aguerrida Tradição da Igreja que santificou tantas gerações de santos. Apesar de não ser pecado recitar esses mistérios da luz (per se) com os Católicos modernos, nós certamente temos que desencorajar suas recitações e evitar comprar e/ou disponibilizar panfletos ou livretos que apresentam os mistérios da luz.


Padre Peter Scott
Angelus Abril 2010

20/02/2007

Pe.Laguerie (IBP) e os Mistérios Luminosos


Uma das respostas mais divertidas das quais o superior do novo Instituto Bom Pastor escreveu em seu Website foi a respeito dos mistérios novos do Rosário recomendado pelo então Sumo Pontífice, Papa João Paulo II. Uma senhora tinha lhe escrito, pedindo sua opinião sobre os novos mistérios e se o Rosário deveria ser condiderado com 4 mistérios ou 3. Para o benefício daqueles que são lingüìsticamente Extra-Galliam, uma tradução será fornecida, embora deva se lembrar que esta tradução não é official.

"Cara Madame Patout, Eu não tenho nenhuma dúvida que poderia haver um grande lucro em meditar os Mistérios Luminosos, tais como a Transfiguração na Mt. Tabor, ou a união em Caná; que riquesa realmente encontramos nestas sublimes páginas de nossos Evangelhos.
Mas por que esses e não outros ainda? Eu poderia fàcilmente inventar para você os mistérios "angélicos" (o anjo de Zacarias, o anjo ou os anjos de São José, o anjo do pool de Siloe, o anjo consolador da Paixão, etc..) ou os Mistérios "aquáticos" (a água do Jordão, a água de Caná, o andar sobre a água, da tempestade acalmada, de Siloe outra vez, etc..) E também os Mistérios "femininos" (a mulher samaritana, a mulher adúltera, Madalena- não confundam com a mulher precedente, a esposa de Pilatos, de Chusa, Herodíadas).
Mas como os provérbios de Solomão dizem, "não mova a pedra da fronteira estabelecida pelos antigos." Mudando o recanto da piedade, desanima os piedosos a melhor promovê-las.
Numa mão, temos os mistérios mantidos no nosso Rosário Tradicional que foram baseados em Revelações de Santos como São Domingos, e pela própria Sempre Virgem Mãe de Deus.
Na outra, estes mistérios são obviamente escolhidos para serem aqueles de nossa Redenção, e representam nesta consideração, verdadeiramente um pequeno "masterpiece" da síntese teológica.
Por todas estas razões e outras mais, deixe nos manter, nosso Rosário como ele é; e deixe nos tentar contudo, ser cada vez mais fiel a ele."

O Padre indica algo que é negligenciado frequentemente. Mudando as coisas que são parte ou parcelas de séculos de uma devoção religiosa , há o perigo de se prejudicar a própria devoção. O Rosário é uma devoção que está enraizada nas práticas dos Católicos. É um oração "confortável" no mesmo sentido que nossa casa é confortável. Há um sentimento da segurança nas devoções que viraram parte da nossa própria identidade. Mudar estas coisas é introduzir um sentido de inquietude. Alguns poderão entender que nem mesmo o Rosário é seguro; que está sempre aberto à modificação, e assim ele perde o sentimento daquela "segurança caseira" que um dia ele teve. Esta mesma atitude de "atualizar" que vem sendo vista na piedade Católica. É o resultado da teoria da devoção ao invés da prática, dos homens e mulheres que falam sobre a devoção ao invés de permitir adentrar a devoção no coração de sua vida espiritual.

Este aspecto, embora importante, diminui de alguma forma a grande importância de Nossa Senhora, pois foi ela própria que entregou-nos a recitação do Rosário. Foi um presente do Céu para o salvação das almas, com muitas graças prometidas àqueles que empregam-o fielmente. Quem somos nós para "melhorar" uma oração dada pelo Céu? Os Mistérios Luminosos contém alguma beleza; afinal, são encontrados nos Evangélios e são parte da Revelação. Mas não seria mais sábio talvez introduzir uma nova Ladainha/etc baseado nestes Mistérios ao invés de mudar uma oração tão importante como o Rosário? Há Ladainhas das sete dores, das sete alegrias de Nossa Senhora, entre outros. Uma nova Ladainha poderia ter sido introduzida para ver que frutos elas traríam, sem ter assim que "atualizar" qualquer coisa. Mas alás que não foi assim como as coisas foram feitas. O Rosário é o Salmo de Nossa Senhora, o Salmo dos humildes: 150 Ave Marias para os 150 Salmos. 200 Ave Marias não simboliza qualquer coisa. O conselho que Pe. Laguerie dá é sábio: Deixe-nos prender ao Rosário que temos, e deixe-nos ser fiéis a ele.

Trad. Brother Pius [V]

Ver também: Devemos recitar os Mistérios Luminosos?

15/01/2007

Mistérios da Luz ou Luminosos?????

Numa quarta-feira do dia 16 de Outubro de 2002, o Papa João Paulo II publicou em sua carta apostólica Rosarium Virginis Mariae na qual decretou que Out/2002 até Out/2003 seria o ano do Rosário. Propôs também cinco(5) novos mistérios para meditação dos fiéis.

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Pintura: as 15 décadas do Rosário


É extremamente assustador testemunhar a que ponto chega as inovações pós conciliares, nem mesmo o Santo Rosário escapou dessa sede por "novidades"....!!!

Muitos desconhecem a conecção entre Rosário e os Salmos....

Assim como os 150 angélicos Salmos exaltam a Deus através de Davi, as 150 Ave Marias(Rosário) exaltam a Deus através da Virgem Maria.

Sei também que muitos do que seguiram a "sugestão" do Papa João Paulo II em adicionar um mistério ao Santo Rosário, não fizeram com a malícia de tentarem dissimular a forma correta(tradicional, de sempre) , e sim pela falta de informação vista tão costumariamente nos tempos pós conciliares.

Nos mistérios em si (Nascimento de Cristo, Casamento em Caná, Proclamação do Reinado, Transfiguração e Instituiçao da Eucaristia) não há nenhum problema; desde que os não fossem embutidos no Rosário, poderiam até mesmo ser uma boa meditação, mas não no Rosário!

O Rosário foi concebido nas mãos de São Domingos por Nossa Senhora e desde então sofreu sim um desenvolvimento orgânico (Ex: Segunda parte da Ave Maria), mas NUNCA NINGUÉM ousou mudar sua essência composta por 150 Ave Marias que correspondem aos 150 Salmos.

Ainda teríamos um outro problema, em Fátima, Nossa Senhora nos ordenou a rezar ao menos o Terço (50 Ave Marias) do Rosário (150 Ave Marias) diariamente.

Com essa "novidade" dos mistérios luminosos ou da luz teríamos 200 Ave Marias....E o que viria a ser um terço(1/3) de 200???

200 : 3 = 66.6

Ou seja, para obedecer Nossa Senhora de Fátima teríamos que rezar ao menos 66.6 Ave Marias, pois esse seria o novo número para se rezar o Terço. Não quero aqui afirmar que este número venha ter alguma relação demoníaca, mas não deixa de ser meio assutador. Adicionar mais essa novidade numa oração que por séculos foi mantida sua essência, seria como se afirmássemos que todos os Santos não rezaram o Terço ou o Rosário por completo, afinal, faltava-lhe "algo"...!

Mas.... Se tiveram a coragem e ousadia de mudar e/ou modernizar a própria Missa, os Sacramentos, o Catecismo, o Código de Direito Canônico etc...  Por que haveriam de poupar o Santo Rosário???

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.

Rezemos então pelo Clero e o fim do modernismo que nele se instalou em grandes números nas últimas décadas!

São Domingos, rogai por nós.
Brother Pius [V].

Ver também, Padre Laguerie e os mistérios luminosos:
http://stdominic3order.blogspot.com/2007/02/pelaguerie-ibp-e-os-mistrios-luminosos.html