03/12/2009

É pecado atender a Missa do Novo Ordo?

Nossa reação imediata a tal questão é emocional: de raiva ou frustração em concordância de que a assistência á Missa Nova é incompreensível e pecaminosa; ou de compaixão, em concordância de que parece impossível que milhões e milhões de Católicos que assistem a mesma todos os Domingos, estejam pecando todas as vezes que a atendem. Nos dois casos consideram-se primariamente a moralidade subjetiva -a intenção da pessoa- antes de considerar a moralidade da ação, que é determinada pela razão do ato em si.

Se você abrir o Catecismo Tradicional, encontrará uma definição da Missa, como essa do Padre Connel's (Baltimore Catechism #3): "A Missa é o sacrifício da Nova Lei na qual Cristo, através do ministério do Sacerdote, oferece Si Próprio á Deus de forma incruenta (sem derramento de sangue) nas aparências de pão e vinho." Não é apenas o mais elevado ato de adoração possível, sendo o ato do Próprio Cristo, mas um sacrifício no real e completo senso do termo, e consequentemente o rito possui quatro finalidades: adoração, acção de graças, propiciação, e impetração. Note que nestas quatro finalidades, propiciação é a única que é própria para Missa como sacrifício, não sendo apta assim de ser efetivamente realizada de nenhuma outra forma.

Agora a pergunta é simples. A Missa Nova alcança a finalidade para qual ela existe? Se sim, então é boa, e como boa, devemos assistí-la; Se não, então é ruim/má, objetivamente e materialmente um pecado oferecê-la ou atendê-la, mesmo que isso seja feito para cumprir o preceito dominical.

Você objetaria dizendo que o termo ruim/má não poderia ser aplicado num ato de adoração, pois todo ato de adoração tem ao menos alguma verdade e algumas outras coisas boas. É impossível ser toda ruim/má como a conotação parece indicar, é aqui que reside um grande desentendimento. O conceito de ruim/má é uma noção analógica. Isso significa que há algumas coisas comuns para todas as coisas que são ruins/más, mas há um mundo de diferenças entre os tipos de males, há o mal físico e o mal moral. Há algo em comum, mas a diferença é maior que a semelhança. A doença é um mal, mas não como o mal de contar mentiras; a poluição é um mal, mas não como o mal de um assassinato/aborto.

O que é comum entre todos os males? A definição do mal, dada por teólogos morais, é muito simples: o mau é a privação de um bem que nos é de direito. Não é somente uma abstenção, mas uma abstenção de um bem que deveria nos ser dado. A doença é um mal físico, pois o corpo deve ser saudável. O pecado é um mau moral, pois a alma deve ser pura e agradável á Deus.

Quando o termo "mau" é aplicado á Missa Nova, refere-se a Missa como um ato litúrgico, nomeado como uma assembléia de cerimônias e orações moldadas num todo. E como tal, tem como finalidade, expressar em suas orações e cerimônias litúrgicas a realidade da Missa como é definida pela doutrina Católica; que é a reincenação incruenta do sacrifício de Cristo na Cruz para as quatro razões: de adoração, ação de graças, expiação e petição, para a maior glória da Santíssima Trindade. As cerimônias da Missa são, pela sua própria natureza, simbólicas. Elas são símbolos (de uma realçada realidade) que representam e são plubicamente solenes; profissão completa de nossa Fé Católica.

A Missa que falha em expressar o completo ensino Católico concernente ao sacrifício, como tem que ser, estará faltando um elemento essencial. Ela manifestamente sofre a privação de um bem que lhe é de direito. Ela não é o que uma Missa deve ser e não consegue alcançar seu propósito. Ela é simplesmente má, e a privação do bem que lhe é de direito é encontrada na assembléia de cerimônias e orações da própria Missa. Isso não significa que tudo nela seja ruim ou que ela seja inválida. Isso também não é um julgamento na intenção do padre ou dos atendentes, nem que graças não possam ser alcançadas por ambos. A afirmação que a Missa Nova seja um mau é uma declaração objetiva na qual esse ato litúrgico como tal, não professa adequadamente a Fé ou alcança seu fim. Ou ainda como os Cardeais Ottaviani e Bacci colocam:

A Missa do Novo Ordo... representa, como um todo e em seus detalhes, um tremendo afastamento da Teologia Católica da Missa como formulado na Sessão 22 do Concílio de Trento. Os "cânones" do rito definitivamente fixados então, ergueram uma insuperável barreira contra qualquer heresia que poderia atacar a integridade do Mistério. (Ottaviani, 25 de Setembro 1969)

O fato da Missa Nova ter sido formulada de tal maneira a ser aceitável aos teólogos protestantes que participaram dela, não significa que ela seja necessariamente herética. Ela é simplesmente ambígua. De qualquer forma, a abstenção de uma clara profissão da Fé Católica, que lhe é de direito, torna-a ruim. O mesmo se dá em relação á sua validade. O fato dela ser má não significa que ela seja, necessariamente, inválida. O padre pode ter a intenção de fazer o que a Igreja faz e celebrá-la validamente, mesmo que as orações da Missa Nova não expresse adequadamente a intenção, assim como certamente ela não expressa mesmo.

Tendo estabelecido a Missa Nova objetivamente como ruim/má, segue-se necessariamente que a celebração ou assistência á mesma será uma desordem, oposta á vontade de Deus e, portanto, um pecado. Ela é um pecado contra a virtude da Religião, um pecado de sacrilégio, que atenta dar glória á Deus através de uma cerimônia que não é verdadeiramente, em si mesma, para Sua glória. Essa colocação parece-nos chocante porque nós associamos sacrilégio com o deliberado e voluntário pecado mortal de uma comunhão mal feita, por exemplo. Como quer que seja, o mal tratamento das coisas sagradas possuem graus, e pode haver pecados veniais de sacrilégios em que a desordem não é tão grande como numa comunhão sacrílega. Uma Missa Nova que é inválida, por seu defeito na forma, intenção ou matéria, é certamente e objetivamente um grande sacrilégio e pecado mortal. Já a Missa Nova que for celebrada com alguma reverência e certeza validade, não será um sacrilégio grave como o de um pecado mortal. Continuam tendo desordem e desprezo ao Todo Poderoso nas prórpias cerimônias, mas não de maneira grave. Esse é o caso de uma relativamente reverente e conservadora Missa Nova, aonde o "por todos" e a comunhão na mão são excluídos. Assitir tais Missas é um pecado venial de sacrilégio. Nós não temos o direito de fazer isso, assim como não temos o direito de cometer qualquer pecado venial, nem mesmo para satisfazer um preceito da Igreja.

Nós podemos resolver, agora, a questão da moralidade subjetiva de uma maneira menos emocional. Não é só porque as Missas Novas são irritantes e chatas que recusamos atendê-las, mas porque sabemos que elas são erradas, porque destroem a Fé; e tendo esse entendimento da moralidade objetiva, nós somos obrigados a seguí-la em consciência. No entanto, nós não faremos julgamentos de culpabilidade subjetiva ou pessoal dos padres ou fiéis que continuam celebrando ou assistindo a Missa Nova. Eles podem não estar cientes da desordem e do mau, ou pelo menos, não o suficiente. Suas conciências não estão bem formadas suficientemente. Pode ser que não seja por suas próprias culpas, e é por esta razão que não podemos afirmar que todos aqueles que celebram ou assistem a Missa Nova cometem pecados veniais.



Padre Peter Scott.(Angelus Julho 2009)

20/10/2009

Peregrinação da FSSPX á Lurdes 2009



A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X tem o prazer de informar que na ocasião de sua peregrinação internacional á Lurdes, o Bispo Bernard Tissier de Mallerais celebrará a Missa Solene da Festa de Cristo Rei na Basílica de São Pio X no Domingo de 25 de Outubro de 2009.

Nós expressamos nossa gratitude ao Mons. Jaques Perrier, Bispo de Tarbes e Lourdes, e também pela hospitalidade das autoridades do Santuário, asseguramos á eles nossas orações.


Abbé Régis de Cacqueray, Superior do Distrito da França
17 October 2009.

http://sanctepater.blogspot.com/2009/10/bishop-of-lourdes-opens-doors-to-sspx.html

O que é eternidade?




Há uma concepção parcialmente errônea da atual divina eternidade entre aqueles que se contentam em definí-la como uma duração sem começo e sem fim, pensando vagamente a respeito como tempo sem limite, tanto no passado quanto no futuro.

Tal noção de eternidade é inadequada: porque o tempo que não tem começo, -não tem primeiro dia-, sempre será, entretanto, uma sucessão de dias, anos, séculos; uma sucessão abraçando um passado, um presente e um futuro. Isso de forma alguma é eternidade. Nós podemos voltar ao passado e enumerar os séculos sem jamais chegarmos no fim, assim como podemos pensar num tempo vindouro aonde nós imaginamos atos futuros das almas imortais como uma série sem fim. Mesmo se o tempo não tivesse começo, ainda assim nós teríamos tido uma sucessão de momentos variados.

O instante presente, que constitui a realidade do tempo, é um transitório instante entre o passado e o futuro ("nunc fluens", diz-nos São Tomás), um transitório instante como as águas de um rio, ou um aparente movimento do sol, do qual contamos os dias e as horas. O que, então, é o tempo? Como diz-nos Aristóteles, é a medida do movimento, mais especialmente da moção do sol ou da terra em torno do mesmo, a rotação da terra em seu eixo constituindo um dia e, um ano, ao redor do sol. Se a terra e o sol foram criados por Deus desde toda eternidade e o movimento regular da terra ao redor do sol não teve começo, nós não teríamos o primeiro dia ou o primeiro ano, mas teríamos sempre tido uma sucessão de anos e séculos. Tal sucessão teria tido, então, uma duração infinitamente inferior á eternidade; pois teríamos sempre tido a distinção entre passado, presente e futuro. Em outras palavras, multiplique os séculos por milhões e milhões e ainda teremos tempo, sempre; não importa a soma do resultado alcançado, pois ele nunca será eternidade.

Se definirmos, então, a divina eternidade como uma duração sem começo ou fim é inadequado, como definí-la? A resposta da Teologia é de que seja uma duração sem começo ou fim, mas com essa característica muito distinta, que nela não há sucessão de passado e futuro, e sim um eterno presente. Não é um rápido instante como o passar do tempo, mas um instante imóvel que nunca passa, um instante inalterável. É o "agora que fica, não o que flui e desaparece", nos diz Santo Tomás (Ia, q. 10, a. 2, obj. ia), como a manhã perpétua que não possui madrugada e não conhecerá anoitecer. Como devemos compreender esse único instante de uma eternidade imutável? Aonde tempo, essa sucessão de dias e anos, é a medida de um aparente movimento do sol ou a real moção da terra, eternidade é a medida ou duração do ser, do pensamento e do amor de Deus. Esses sim são absolutamentes imutáveis, sem mudanças, variações ou vicissitudes. Como Deus é, por necessidade, a infinita plenitude do ser, não existe nada para Ele ganhar ou perder. Deus nunca pode aumentar ou diminuir em perfeição; Ele é a própria imutável perfeição.

Essa fixação absoluta do ser divino extende necessariamente para Sua sabedoria e arbítrio; qualquer mudança ou progresso na sabedoria ou amor divino acarretaria imperfeição.

A imutabilidade, no entanto, não é uma imutabilidade de inércia ou morte; e sim da vida suprema, possuindo uma vez por todas tudo o que é possível e correto, não tendo assim que adquirí-la ou correr o risco em perdê-la.


(Continuação num vindouro post)
Excerto de Providência, Fr. Garrigou-Lagrange, O.P.

12/10/2009

O Concílio Vaticano II e a rejeição do Reinado Social de Nosso Senhor


Por Arcebispo Marcel Lefebvre

Nota: Este é um breve trecho do famoso sermão do Arcebispo em Lille, em 29 de Agosto de 1976. Encontra-se no magnífico livro "The Bishop Speaks": Writtings and Addresses 1973-1976

Finalmente, um terceiro erro, [o Clero Católico moderno] rejeita o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo sob o pretexto que o mesmo já não é mais praticável. Eu ouvi isso da boca do Nuncio de Berne; Eu ouvi da boca do embaixador do Vaticano, Padre Dhanis, ex-reitor da Universidade Gregoriana, que veio em nome da Santa Sé pedir que eu não executasse as ordenações de 29 Junho. Era 27 Junho em Flavigny, e eu pregando um retiro aos seminaristas. Ele disse: " Por que você está contra o Concílio? " Eu respondi, " É possível aceitar o Concílio, quando em nome do mesmo você diz que todos os Estados Católicos devem ser destruídos, que não deve restar nenhum Estado Católico, e portanto, nenhum Estado aonde Nosso Senhor Jesus Cristo reine? Tal Estado já não é mais possível." Mas uma coisa é dizer que ele não seja possível, e outra é aceitar isso como princípio, e conseqüentemente, já não procurar o Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas o que nós dizemos diariamente no Pai Nosso? " Vem á nós o Vosso reino, assim na Terra vomo no Céu." Que reino é esse? Ainda há pouco você cantou no Gloria; "Vós sozinho é Senhor, Vós sozinho é o mais elevado, Jesus Cristo." Devemos, nós, cantar estas palavras e ao mesmo tempo saírmos para dizer: " Não, Jesus Cristo não deve mais reinar sobre nós." Estaríamos, nós, vivendo ilògicamente? Somos nós católicos ou não?

Não haverá nenhuma paz na terra exceto no reino de Nosso Senhor Jesus Cristo. As nações encontram-se em conflito -cada dia temos páginas e mais páginas nos jornais a respeito disso, também na rádio e na televisão; e agora com a mudança do primeiro ministro: O que nós iremos fazer para melhorar a economia? O que nós iremos fazer para ajudar a moeda? O que iremos fazer para ajudar a prosperidade da fabricação, etc. Todos os jornais no mundo fazem tais perguntas. Bem, mesmo de um ponto de vista econômico, nosso Senhor Jesus Cristo deve reinar, porque o reino de nosso Senhor Jesus Cristo é o reino dos princípios do amor e dos mandamentos de Deus, que estabelecem o equilíbrio na sociedade, e que trazem justiça e o reino da paz. É somente com ordem, justiça, e paz na sociedade que a economia pode prosperar…

É o reino de Nosso Senhor Jesus Cristo que nós queremos; e nós professamos nossa fé, dizendo que Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus.

E é por isso que nós queremos a Missa de St. Pio V, porque esta Missa é a proclamação da realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Missa Nova é um tipo de Missa híbrida, que já não é mais hierárquica; e sim democrática, aonde a assembléia toma o lugar do padre, e assim já não é uma Missa autêntica que afirme a realeza de Nosso Senhor. Pois como Nosso Senhor Jesus Cristo se tornou Rei? Ele afirmou sua realeza pela Cruz. " Regnavit a ligno Deus." Jesus Cristo reinou pela madeira da Cruz. Porque Ele venceu o pecado, venceu o diabo e venceu a morte pela Cruz: três magníficas vitórias de Nosso Senhor. Se dirá que isso é triunfalismo. Bem, se assim for; sim, nós queremos o triumfalismo de Nosso Senhor Jesus Cristo…

Na hora de minha morte, quando Nosso Senhor me perguntar o que foi feito com as benevolências de meu sacerdócio, não quero ouvir da boca d'Ele: vós contribuístes, aliados á outros, para destruição da Igreja.

http://www.cfnews.org/lefebvre-bsh-sp01.htm

27/09/2009

E se...


...E se quaisquer discussões a serem mantidas entre Roma e a Fraternidade São Pio X parecerem encaminhar a um "acordo prático" não-doutrinal entre as duas, então todos os católicos que desejam salvar suas almas teriam que estudar o "acordo" cuidadosamente - especialmente nas letras miúdas - para ver quem seria, no futuro, o líder ou líderes, e seus sucessores, da FSSPX aprovada por Roma.

Ele receberia qualquer título que agradasse a ambas as partes: "Superior Geral" ou "Prelado Pessoal" ou "Senhor Alto Executivo" (um personagem de nobre posto e título) - o nome não seria importante. Crucial seria quem tomasse as decisões; e quem apontaria quem tomaria essas decisões? Seria escolhido pelo Papa ou pela Congregação do Clero, ou por qualquer autoridade Romana, ou continuaria a ser escolhido independentemente de Roma no interior da FSSPX como é hoje, por uma eleição a cada doze anos por meio de 40 padres líderes da Fraternidade (sendo a próxima eleição em 2018)? E mais: que "acordo" aceitaria Roma se não lhe garantisse o controle sobre a eleição da liderança da FSSPX?

A História da Igreja Católica está entulhada de exemplos de lutas entre os amigos e os inimigos de Deus - Normalmente Igreja e Estado respectivamente, mas não mais! - pelo controle da escolha dos bispos Católicos. Pois como qualquer amigo ou inimigo inteligente da Igreja sabem, os bispos são a chave de seu futuro. (Como Monsenhor Lefebvre costumava dizer, em desafio de toda a bobajada democrática de hoje, são os bispos que formam o povo Católico e não o povo que forma os bispos.)

Um exemplo clássico desta luta é o Pacto Napoleônico de 1801 pelo qual o então recente Estado Maçônico Francês assegurou que adquiriria um grau significativo de poder sobre a escolha dos bispos da Igreja em França. Prontamente todos os bispos pre-Revolucionários que eram Católicos demais foram retirados, e a Igreja estava então seguramente em seu caminho rumo a Vaticano II. Similarmente, quando em 1905 os Maçons romperam a união do Estado Francês com a Igreja, para melhor persegui-la, o heróico Papa Pio X aproveitou-se de sua indesejada nova independência do Estado para escolher, e em pessoa consagrar, um simples punhado de nove bispos, mas seu Catolicismo viril assustou tanto os maçons que, tão logo morto Pio X, apressaram-se em renegociar uma certa reunião da Igreja com o Estado, se ao menos eles pudessem recuperar o controle da escolha dos bispos Franceses - e Vaticano II retornou aos trilhos.

O padrão foi repetido em 1988 quando a fé e coragem heróicas de Monsenhor Lefebvre sozinho salvaram a FSSPX consagrando quatro bispos independentemente da explícita desaprovação da Roma Conciliar. As mesmas raposas Conciliares podem agora "recuar" com o objetivo de reganhar o controle dos quatro "patinhos feios" da FSSPX, e seus potenciais sucessores independentes - patinhos dão um apetitoso bocado para raposas! Deus abençoe Pe. Schmidberger e Dom Fellay, e todos os seus sucessores que manterão independência Católica pelo tempo em que Roma estiver fora de seu juízo Católico!


Kyrie Eleison.

Londres, Inglaterra

21/09/2009

Dom Williamson e as discussões difíceis (Parte III)


Duas objeções ao próprio princípio da Fraternidade São Pio X entrando, possivelmente em breve, nas discussões doutrinais com as autoridades da Igreja em Roma, ajudam a enquadrar a natureza, propósito e limitações de tais discussões. A primeira objeção diz que a Doutrina Católica não é para ser discutida. A segunda diz que nenhum Católico pode presumir discutir com representantes do Papa em pé de igualdade. Ambas as objeções aplicam-se em circunstâncias normais, mas as de hoje não são normais.

Quanto a primeira objeção, é claro que a imutável e imutada doutrina Católica não é discutível. O problema é que o Vaticano II empreendeu mudá-la. Por exemplo, pode, ou deve um Estado Católico tolerar a prática pública de falsas religiões? A Tradição Católica diz "pode", mas apenas para evitar um mal maior ou alcançar um bem maior. O Vaticano II diz "deve", em todas as circunstâncias. Mas se Jesus Cristo é reconhecivelmente o Deus encarnado, então nada além de "pode" é verdadeiro. Pelo contrário, se "deve" é verdadeiro, então Jesus Cristo não pode ser necessariamente reconhecível como Deus. O "pode" e o "deve" estão distantes como ser Jesus Cristo Deus por divina natureza ou por escolha humana; ou seja, entre Jesus ser, ou não ser, objetivamente, Deus!

Ainda que as autoridades Romanas afirmem que a Doutrina do Vaticano II não representa ruptura com o dogma Católico, mas sim seu desenvolvimento contínuo. A menos, então - tomara Deus que não!-- que a FSSPX abandone também o dogma Católico, ela não discutirá com essas autoridades se Jesus é Deus, não se trata de por em discussão a doutrina Católica, mas sim esperar persuadir quaisquer Romanos com ouvidos abertos que a doutrina do Vaticano II é gravemente contraposta à doutrina Católica. A esse respeito, mesmo que o sucesso da FSSPX se mostrasse mínimo, ainda se consideraria que fora seu dever dar testemunho da Verdade.

Mas os Romanos podem replicar: "Nós representamos o Papa. Como ousam presumir uma discussão conosco?" É a segunda objeção e para todos aqueles que pensam que a Roma Conciliar está na Verdade, a objeção parece válida. Mas é a Verdade que faz Roma e não Roma que faz a Verdade. Nosso Senhor mesmo repetidamente declara no Evangelho de S. João que sua doutrina não é sua mas de Seu Pai(Ex. Jo. 7, 16). Mas se a Doutrina Católica não compete a Jesus mudar, quão menos competirá a seu Vigário mudar, i.e., o Papa! Se então o Papa, por seu livre-arbítrio dado por Deus, escolhe se apartar da Doutrina Católica, no tocante a essa medida ele depôs seu status de Papa e nesse tocante apenas -- ele continua o Papa -- ele se coloca e/ou seus representantes abaixo de quem permanecer fiel à Doutrina do Divino Mestre.

Portanto o mesmo status na discussão com o Papa reside na medida em que ele se aparta da Verdade, qualquer Católico a assume, sendo fiel à Fé. Como de maneira célebre disse uma vez Monsenhor Lefebvre diante das Autoridades Romanas que o interrogavam por sua dissensão com o Papa Paulo VI, "Eu que devia estar interrogando vocês!" Defender a Verdade de Deus Pai é o orgulho e a humildade, a vocação e a glória da pequena FSSPX do Arcebispo. Se as discussões com Roma significarem o menor perigo que seja da FSSPX ser infiel à sua vocação, então não deveria haver discussões.

Kyrie Eleison.

Londres, Inglaterra