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25/04/2011

Alice no País da Montfort...

Que lástima voltar ao mundo virtual após o período da Quaresma e encontrar essa lama no meio tradicional, ou melhor, no meio "neo-tradicional" que se involve com o tradicional.


Pois a Montfort, já há muito tempo, não age como tradicional. Afinal, até onde sei, defender um padre bi-ritualista contra LEGÍTIMOS padres tradicionais (ainda mais com calúnias e picuinhas), não pode ser considerado, mesmo remotamente, como Catolicismo Tradicional.

Suas matérias fantasiosas, e de certo modo até tendenciosas sobre o "grande" Papa Bento XVI, há muito já andavam dando agonia, enjôo e pena, afinal, só retiravam frases isoladas para dar ao liberal Papa um ar de tradicional, bem equivalente aos protestantes e seus recortes bíblicos. Insanidade! E, portanto, longe de poder ser considerado Catolicismo Tradicional.

Talvez isso tenha se dado até pela avançada idade de seu presidente, pelo longo tempo de luta e/ou pela vontade de morrer unido a Igreja que "voltava" a lutar contra o modernismo, etc... Mas seja lá qual for o motivo, fazia anos que já não dava para dar crédito as notícias da Montfort e do "mundo de Alice no país das maravilhas"...

Por que não víamos notícias do "tradicional" Papa quando o assunto era seus heretizantes livros, entrevistas, pronunciamentos, encíclicas???
(Aliás, arrumavam um malabarismo digno dos maiores modernistas para justifcarem a "grandeza" do teólogo e bispo de Roma em suas estapafúrdias encíclicas)

E o famoso e escandaloso pronunciamento do Papa em relação á "camisinha", o que dizer???

Aonde foram parar suas ditas formações Tomistas nesses momentos???

Por que não víamos, isso já mais recente, um ataque digno ao anunciado 3* Encontro de Assis ou na beatificação do Vaticano II, ups, quero dizer, do terrível Papa João Paulo II???

Por que a omissão do forçado e melado 'jardão' "Viva o Papa" da Montfort nesses momentos???

A patente PAPOLATRIA do finado professor passou a saltar aos olhos!

Em relação ao tratamento dispensado á FSSPX pela Montfort, sempre preferi dar o benefício da dúvida ou até mesmo o benefício de considerar que o problema do Professor e da ACM pudesse ser a ignorância, ou mesmo o orgulho de suas partes em relação á FSSPX, afinal, todos temos o "velho homem" para lutar contra e, no caso deles, o "velho homem" poderia ser o orgulho em pessoa, pensava eu.

Sempre respeitei a pessoa do professor pelo que aprendi com seu site, respeitei e até fiz amigos dentre os "amigos da montfort" no meio de redes sociais e messenger; mas nunca omiti minha posição de apoio á JAMAIS excomungada FSSPX.

Mas chega um ponto em que você se vê não só como tendo que abandonar as leituras do site e abster de tecer comentários sobre eles, mas também de se DEFENDER contra seus FALSOS ataques. Padre Joel Danjou expôs brilhantemente o quão ilusório e risório se fazia os ataques provenientes do "mundo de Alice"; inclusive a tal prometida tréplica ao supracitado padre acabou indo para o caixão com o professor e divulgador desse "mundo de maravilhas" vivido na Igreja "restauradora", liderada pelo "grande restaurador" chamado Bento XVI.

Se o finado professor, juntamente com sua associação, pensassem ser mesmo possível sobreviver no meio modernista sendo um exímio tradicional, por que ele(s) JAMAIS recomendaram "um seminário sequer" aos seus alunos e/ou leitores???

(salvo quando eles, por poucos ilusórios meses, pensavam possuir um Seminário chamado IBP, é claro)


Como viveremos uma vida de católico se, segundo a Montfort e seu próprio presidente, já não se pode produzir padres nos seminários do mundo???

Passaríamos a nos confessar com professores de história???



O orgulho mostrado pelo Professor Fedeli e vários de seus seguidores, para mim, ao fim, ficou concretizado em todos esses casos. Inclusive nas festivas comemorações do levantamento da dita "excomunhão" da FSSPX; afinal, que final mais feliz e triunfante não seria para "Alice e seu mundo" poder estar novamente ao lado da FSSPX sem ter que se retratar de suas falsas acusações, e ainda por cima recebendo-a como um filho pródigo que a casa retorna???

Seria um desfecho perfeito para para um professor e uma associação que já não viviam de acordo com a REALIDADE, e sim no fictício mundo das maravilhas.

Mas caberia perguntar á eles, como a FSSPX poderia "retornar" como filho prodigo se eles NUNCA deixaram tal casa??? Quem se afastou da Doutrina Católica???

Oh, não se pode dizer que foi Roma, pois isso cheirará a sedevacantismo. Igual o daquele bispo Inglês "negador do Holocausto".

Pouco tempo depois de insinuações maldosas e falsas ao Bispo Inglês, surgiram sedevacantistas no próprio seio da Montfort... Castigo de Deus?

Mas obviamente eles tentaram se excusar de qualquer influência ou responsabilidade para tal debandada, e a válvula de escape, dessa vez (ou mais uma vez), foi Dom Lourenço. Culparam-o por fazer tal rapaz largar o grupo da Montfort para ingressar no beco sem saída, leia-se sedevacantismo.

É aí que reside o cerne da questão, as posições da Montfort em relação ao "imaginário cisma" são tão falsas quanto a dos modernistas de todos os naipes, se não for pior, pois pelo menos de todos esses outros naipes já seria de se esperar tal tratamento. Já daqueles que dizem lutar contra o Concílio Vaiprocano II e a Missa Nova...

Outra infundada e baixa acusação é imputar que a Fraternidade prega que "fora dela não há salvação".

E os apaziguadores de plantão ainda querem ditar quando, como e aonde deveremos rebater tais acusações? Ainda nos acusam de procurar intrigas? Façam-me o favor!

Não tentem, também, dizer-me que o inteligente, articulado e jocoso professor nunca esteve a par de assuntos relacionados ao "estado de necessidade", "ecclesia suplet" ou algo parecido, por que isso seria apenas mais um conto de Alice. Não consigo engolir que os tribunais de anulação possa ser o real motivo para tanto horror á FSSPX quando, na verdade, nem Roma se pronunciou quanto a isso. Além do mais, inúmeras e lógicas indicações confirmam a legitimidade de tais tribunais, a melhor e mais detalhada explanação em Português que eu conheço pode ser encontrada aqui.

Rezo para que tais "maravilhas" do mundo da Montfort não impeçam os genuínos católicos de avançarem em suas vidas espirituais, de impedirem de seguir suas vocações, pois a realidade costuma ser cruel com aqueles que vivem na ilusão.

Rezemos, também, pela alma do professor e pela cegueira daqueles que pensam que quatro Bispos Tradicionais são (ou estiveram) excomungados em tempos que, para Roma,
protestantantes são "irmãos separados", cismáticos são "verdadeiros Patriarcas", pérfidos Judeus são "irmãos mais velhos", muçulmanos adoram o mesmo "deus", budistas e hindus podem ter celebração em nossos altares, etc...

Que tais cegos passem a perceber que ser considerado "cismático, rebelde, desobediente, etc.", por esse bando de traidores da Fé Católica, deveria ser tido como um privilégio digno de condecoração!

Que as palavras de São Paulo, tão ricamente seguidas pelo grande Arcebispo Lefebvre, "Tradidi quod et accepi" [1 Corinthians 15:3], possa ser seguida por todos os quatro Bispos cansagrados por ele e Dom Castro Meyer, pois se assim for, nunca nos depararemos com professores de história do outro lado do confessionário tentando se passar por padre!!!

__________

Ps: Faço as palavras do Márcio, do belíssimo blog In Tribulatione Patiencia, as minhas palavras.

30/12/2008

Papolatria

Papolatria


Dr. William Marra

Nota edital: Este transcrito editado é de uma parte do discurso “alternativa para o cisma” dado no Fórum da Conferência Romana em Agosto de 1995. Nesta apresentação, o Dr. Marra apresenta um esclarecimento que ajuda os Católicos a pensarem criticamente e corretamente, quando as indicações confusas e contraditórias emanam mesmo das autoridades mais elevadas da Igreja.



Crença e Obediência

Meu grande professor, Dietrich von Hildebrande escreveu quatro proeminentes livros na atual crise da Igreja. Recentemente, seu último livro, o Charitable Anathema foi publicado. Eu desejaria que nós pudéssimos enviar uma cópia para Roma. Um capítulo neste livro contém uma palestra da mais importante, jamais dada por ele ao Fórum Romano. Refere-se à diferença entre a crença (opinião) e a obediência. Chamou-lhe de uma grande diferença. Foi magistral.

O ponto é: se há um problema em uma questão da verdade, e há uma grande disputa, e finalmente Roma declara (invocando sua autoridade infalível) e diz, “Esta declaração tem que ser acreditada de fide”. Então este é o fim da disputa. Roma locuta causa finita. Roma declarou, caso encerrado. Esse é o fim. Conseqüentemente, nós temos que acreditar na declaração de tal verdade.

Entretanto, decisões práticas do Clero, mesmo as das mais elevadas autoridades; do Papa, Bispos, Padres, são algo completamente diferente. Nós não dizemos, por exemplo, que um comando ou decisão de um Papa de convocar um Concílio seja verdadeira ou não. Nós podemos dizer que é sábio ou não… é oportuno ou não. Tal decisão, de maneira alguma pede que nós aprovamos a sua autenticidade. Pede que nós obedeçamos o comando ou os comandos que nos pertence. Este é o que von Hildebrande quis dizer através da diferença entre a crença e a obediência. E nós católicos nunca somos obrigados a acreditar que uma ordenação dada, ou a decisão dada por quem quer que seja, incluindo o Papa, são necessariamente aquela do Espírito Santo.


Os limites da proteção divina

Há um tipo papolatria circulando. Essa papolatria age como se tudo que viesse de Roma fosse inspiração do Espírito Santo. Esta linha de pensamento presume, por exemplo, que se o Vaticano II foi convocado, foi porque o Espírito Santo desejou convocá-lo. Mas este não é necessariamente o caso. A convocação do Concílio Vaticano II foi uma decisão pessoal de João XXIII. Ele pode ter pensado que Deus lhe estava dizendo para convocá-lo, mas quem realmente sabe se isso procede? Não existe nenhum carisma especial que garanta ele reconhecer uma decisão como vinda do Espírito Santo com certeza teológica.

Nós podemos dizer que o Papa tem o poder de chamar um Concílio.
Nós podemos dizer que as autoridades na Igreja podem invocar o Espírito Santo para garantir, em um conjunto raro de casos, que o que vem deste Concílio seja de fide. (E nada no Vaticano II foi pronunciado de fide, Ed.)

A glória da Igreja é que tem a ajuda sobrenatural para definir a verdade. Tem a ajuda sobrenatural para garantir que seus sacramentos sejam eficazes e assim por diante. Mas quem disse que a decisão para chamar um Concílio fosse protegida pelo Espírito Santo?


Alguns esclarecimentos

Deixe-nos olhar determinadas decisões práticas de qualquer Papa.

Um Papa poderia comandar a supressão de uma ordem religiosa. Isso aconteceu alguns séculos atrás, o Papa suprimiu os Jesuítas. Era foi um pouco prematuro, eu penso que eles deveriam ter esperado. Este tipo de supressão refere-se à obediência, não á crença.

Para todas as finalidades práticas, Pauol VI suprimiu o Rito Romano. Nós não temos nenhum Rito Romano. O Papa Paulo VI pensou que teria o poder litúrgico para fazer isto. Von Hildebrande classifica tal ato como a grande tolice do Pontificado de Paulo VI. Então, suprimir uma ordem religiosa, suprimir um rito, nomear um Bispo é uma matéria de obediência, não de crença, e portanto, não é garantida pelo Espírito Santo.

Nós temos 2.600 Bispos na Igreja. Isso significa o Espírito Santo escolheu todos eles? Isso é blasfêmia, amigos. Vocês querem responsabilizar o Espírito Santo pelo Arcebispo Weakland?

Como já mencionado, convocar um Concílio é uma decisão prática do Papa. Uma pessoa pode piodosamente acreditar que Deus a inspirou. Mas ninguém pode dizer que este é um objeto de fé.

Também não devemos acreditar que quem quer que se transforme em Papa seja o homem que Deus quer que seja Papa. Isto é um 'modo de falar', um 'jogo de palavras': “esta é vontade de Deus.”

Todos teólogos sempre compreenderam que existem dois sentidos à vontade de Deus. A vontade positiva de Deus e a vontade permissiva de Deus.

Assim, nós sabemos que Deus quer positivamente povos santos na Igreja… “que esta é vontade de Deus, sua santificação”. Mas quando o mal é feito, isto ocorre através da vontade permissiva de Deus. Não é algo que Deus queira diretamente, mas algo que Ele permite quando os homens exercitam o livre arbítrio.

Antes de todo conclave que elege um Papa, os eleitores são supostos a rezarem para serem orientados pelo Espírito Santo. Agora, se são verdadeiramente homens de Deus, e se eles rezam realmente, é esperado que o Espírito Santo lhes dará a escolha direita. Mas se são intencionais, ambiciosos, homens carnais, e não se estão abrindo verdadeiramente à inspiração, um candidato indigno da sua própria escolha pode ser o resultado. Isso não significa que o homem eleito cessa de ser Papa. Isso não significa que ele perde a proteção do Espírito Santo quando ensina a fé e a moral. Mas poder-se-ia se dizer que este Papa terminaria por ser um disastre.

Agora, como eu sei isto? Bem, não porque sei que quaisquer dos Papas modernos foram um disastre, isto é demasiado controverso. Mas na história da Igreja, há muitos exemplos de Pontificados desastrosos.


Nós aprendemos com a história

O Dr. John Rao é um estimado amigo meu. É professor de história da Igreja. Ele está muito triste com os chamados 'conservadores' que, quando fazem seus doutorados em história, documentam todas as decisões desastrosas dos Papas passados. Escreverão sobre todas as coisas desastrosas que aconteceram. Mas quando vem à situação atual, são uma "mãe". Acreditam que tudo deve ser direito. Mas se tudo deve ser direito e perfeito nos Pontificados atuais, a seguir por que escrevem sua dissertação doutoral sobre o disastre do Papa Honório, do Papa Libério, do Papa Alexandre VI ou de qualquer outro mais?

Assim, Rao insiste que nós aprendemos com a história, e que não devemos dizer que se "X foi eleito Papa, conseqüentemente esta é a vontade de Deus”. Não, pode ser tanto a vontade do positivo de Deus quanto meramente a vontade permissiva de Deus. Mas poder-se-ia ser que o homem selecionado para ser Papa seja o pior candidato para o ofício.

É como se Deus dissesse, “vocês eleitores carnais, e vocês povos carnais da Igreja que não rezaram o bastante receberão o que merece.” O papado ainda está protegido, e nunca ensinará com sua autoridade infalível algo como verdadeiro sendo na verdade falso, mas no mais tudo pode acontecer. O Papa eleito poderá fazer todo tipo de abominação… sua vida pessoal poderá ser um disastre, ele poderá ser movido por seu desejos próprios, e assim por diante. Poder-se-ia ser uma horrível pessoa.

Pode ser igualmente um disastre para a fé mesmo sendo uma boa pessoa.

O papado não é protegido de tal calamidade. E este é um ponto em que nós devemos ter um diálogo real com os chamados 'conservadores'.



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